16 de dezembro de 2019 às 00:00

Porto de Salvador é sinônimo de desenvolvimento econômico

Paulo Villa
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É inaceitável qualquer destruição de infraestrutura de transportes de cargas seja na Cidade ou no Estado. Possuir um porto como o de Salvador é um privilégio para o bem-estar da população e visitantes.

Porto de Salvador é sinônimo de desenvolvimento econômico

Em recente palestra, o vice-prefeito Bruno Reis anunciou que os galpões 3 e 4 da Codeba, no Porto de Salvador, seriam transformados em espaço de convivência, com restaurantes e áreas de lazer, semelhante ao Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Nesse caso, convém ressaltar que Lisboa não abriu mão de suas atividades portuárias e é um dos melhores exemplos de convivência porto-cidade. Ao longo de sua costa, com mais de 10 km de extensão, estão instalados os terminais de Contentores de Alcântara, de Contentores de Santa Apolônia, Multipurpose de Lisboa, de Graneis Alimentares de Beato, Multiusos do Poço Bispo, Estação de Cruzeiros e diversas outras empresas vinculadas à cadeia logística de operações portuárias dentro da cidade, em uma harmoniosa convivência com habitantes e turistas.

Outros portos, como os de Nova York, São Francisco, Barcelona e Buenos Aires buscaram fora da atividade portuária a remuneração de áreas e instalação obsoletas e sem receitas, o que não acontece em Salvador, onde já foi reduzida a capacidade de armazéns, desativando áreas que prestavam importantes serviços.

Propor a transformação de armazéns do Porto de Salvador em área de lazer pressupõe desconhecimento da economia da capital e do estado. Os armazéns estão abarrotados de cargas e para desativá-los, obrigatoriamente, teria que antes ser implantado um novo porto com características iguais ou superiores às que são oferecidas atualmente.

Os armazéns 3 e 4, objetos de desejo da prefeitura, são os mais utilizados pelo conjunto de facilidades que oferecem - cais mais profundo e largo (30 m) do chamado “cais comercial” – e adequado para a maioria das operações de carga geral solta, cargas a granel e cargas de projeto.

A proposta de desativação desses armazéns gera imediata insegurança a investidores, uma vez que imporia prejuízos incalculáveis para as empresas baianas usuárias do porto, além de potencializar o mais nefasto dos problemas socioeconômicos de Salvador e da Bahia: o desemprego. Em efeito dominó, podem vir o fechamento ou relocação de indústrias e transferência de operadores logísticos para outras cidades e estados.

Não é imaginável que os gestores de bens públicos possam transigir com responsabilidades sociais e econômicas. É necessário destacar que o Porto de Salvador é potencialmente um dos melhores do mundo, pela sua fácil, barata e rápida acessibilidade, boa profundidade e excelente clima, fatores que se constituem em vantagens quando comparado com qualquer outro porto brasileiro. Trata-se de uma “mina de ouro” que os baianos ainda não descobriram, capaz de enriquecer a combalida economia de Salvador.

Por outro lado, o conjunto de obras de engenharia, um ativo avaliado em mais de US$2 bilhões, infraestrutura composta de 2,4 km de quebra-mares, 2 km de cais, profundidade de até 15 metros, mais de 30 hectares de retroáreas com diversas instalações operacionais em pleno funcionamento, incluindo os armazéns, não deve ser desativado em hipótese alguma, pelo contrário deve ser expandido, semelhante ao bem sucedido modelo de Lisboa, de modo a agregar valor, riquezas, negócios e gerar os tão necessários empregos na capital.

Também deve se considerar que o porto ocupa apenas 2 km em um município com mais de 50 km de costa marítima, que necessita ser valorizada e bem utilizada para benefício tanto da população como do turismo. Centros de cultura, lazer e gastronomia precisam ser instalados em Itapuã, Pituba, Ribeira, Monte Serrat, Plataforma ou Periperi, requalificando nossa orla marítima.

É inaceitável qualquer destruição de infraestrutura de transportes de cargas seja na Cidade ou no Estado. Possuir um porto como o de Salvador é um privilégio para o bem-estar da população e visitantes. Convidamos o vice-prefeito a estabelecer um diálogo construtivo em favor da cidade do Salvador e do estado da Bahia.