13 de maio de 2019 às 00:00

O Brasil e o jogo contra

Samir Keedi
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Felizmente agora temos, pela primeira vez nas últimas décadas, um governo decente. Que quer mudar o país. Com nomeações adequadas, apenas com poucas fora do padrão. É a melhor intenção possível. Erros ocorrem com a falta de experiência.

O Brasil e o jogo contra
Quem já viveu muito neste país, e não estiver impressionado com o que aqui acontece, não pode estar bem. É incrível ver o quanto parece não haver muita gente interessada em transformar o país. Em fazer do Brasil um país decente, bom de viver. Ser desenvolvido e poder se comparar a grandes países.
 
Aqui não costumamos ter política de país, de longo prazo, mas, tão somente, política do governo de plantão. E, cada um, com seus próprios interesses. Não importando o interesse da população. É sempre interesse pessoal, partidário, de grupos, de setores, etc. E o povo? Para eles, meros detalhes e eleitores.
 
Já vimos demais isso, e nem precisamos retornar muito no tempo. Basta se reportar aos últimos seis governos, nos 24 anos de 1995 a 2018. Nunca houve aqui interesses do povo. Alguém poderia lembrar o "Plano Real". Ok, talvez uma exceção. Mas, isso elegeu um governo incompetente, que com isso comprou a própria reeleição, em pleno mandato, e sempre se disse que, com uma fortuna do dinheiro do erário público.
 
Um governo que ajudou a afundar um país que já vinha mal, tendo a década anterior como a pior de todos os tempos na economia, com crescimento médio anual de 1,66%. Depois de termos crescido de 1901 a 1980, o que poucos países cresceram. Ou talvez ninguém segundo alguns.
 
Governo que, apesar de todas as privatizações e entrada financeira, elevou a dívida interna de R$ 89 bilhões para R$ 1,1 trilhão em apenas oitos anos. O que aconteceu com o dinheiro das privatizações e a diferença de mais de R$ 1,0 trilhão? Esse foi o maior feito daquele famigerado governo.
 
Aí tivemos os desastrados e piores governos da história do país, continuidade do anterior. Com o maior nível de corrupção da história da humanidade, que jogou o país na lona, literalmente. De tal forma que, segundo nossa opinião, de forma irremediável. Desmandos pelos quais pagaremos, certamente, pelos próximos 15-20 anos. Em 2012, em nosso artigo "Brasil: buraco 2020", previmos isso e que o governo declararia moratória da dívida em 2020.
 
Estamos empatados há 38 anos, e já podemos considerar também 2019, em que cresceremos menos de 2,0%. Numa média de crescimento pífia de 2,3% ao ano. Ou seja, já são quase duas gerações perdidas, o que nunca ocorreu. E só ocorre com países em guerra, mesmo assim, nem tanto.
 
Os governos anteriores jamais pensaram no país. Em nenhum instante sequer. E o povo, o que fez nesse período todo? Saiu às ruas insistentemente? Exigiu honestidade? Investimento? Olhar para o que o povo precisa? Nada, aceitou tudo, aceitou a destruição do país, e quase deu continuidade com ele.
 
Felizmente agora temos, pela primeira vez nas últimas décadas, um governo decente. Que quer mudar o país. Com nomeações adequadas, apenas com poucas fora do padrão. É a melhor intenção possível. Erros ocorrem com a falta de experiência.
 
E o que faz a imprensa desse país? O que fazem os artistas, que não merecem consideração? Jogam contra, mentem, não divulgam as verdades, só mentem.
 
E o povo, o que faz? Também nada. Reconhece o que está sendo tentado? Quer melhorias? Não. Não quer fazer nada, quer tudo caindo do céu sem fazer nada. Do céu só caem chuvas e aviões.
 
Brasil, já perdemos a esperança de que acorde, mas...
 

Samir Keedi é professor de MBA, autor de vários livros em comércio exterior, transporte e logística, tradutor do Incoterms 2000, membro da CCI-Paris na revisão do Incoterms® 2010. 

Texto originalmente publicado no jornal DCI,em 26 de abril de 2019.

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