Cenário atual indica normalização da cadeia logística a partir do 2º trimestre de 2022

18 de outubro de 2021 às 15:59

Cenário atual indica normalização da cadeia logística a partir do 2º trimestre de 2022

Armadores avaliam que congestionamentos, fechamentos parciais ou totais de portos, além do encalhe em Suez no começo do ano, contribuíram com desequilíbrio entre oferta e demanda

O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) acredita que a normalização da demanda e das operações da cadeia logística pós-pandemia, a partir do segundo trimestre de 2022, associada à entrada de nova capacidade de transporte em 2023, permitirá o gradativo retorno à normalidade das atividades. A associação, que representa empresas de longo curso que operam na costa brasileira, avalia que, apesar de todas as dificuldades, os serviços que atendem o Brasil foram mantidos até agora, embora com algum decréscimo de capacidade, devido à queda de produtividade, mostrando o compromisso dos armadores com o comércio exterior brasileiro.

O Centronave observa que os portos dos países desenvolvidos no hemisfério norte continuam apresentando fortes congestionamentos, alguns deles de forma severa. Entre os portos chineses, o principal destaque tem sido Ningbo, paralisado em função de casos de Covid-19. A avaliação é que esses congestionamentos, somados aos fechamentos parciais ou totais de outros portos, além da crise do fechamento do Canal de Suez no começo do ano, em nada têm contribuído com a superação do atual desequilíbrio entre oferta e demanda.

Para os transportadores marítimos de longo curso, a queda da produção e do comércio exterior ao início de 2020, em função do surgimento da pandemia, gerou um gap nos estoques mundiais, por conta de uma demanda acima do normal para recompô-los logo após o primeiro semestre do ano passado. Outros fatores contribuíram para sobrecarregar as cadeias logísticas desde então: mudanças nos padrões de consumo a partir do home office e lockdowns; ajudas governamentais em diversos países impulsionando o consumo das famílias; além do aumento sazonal do movimento de final de ano.

"Na verdade, a recuperação econômica ocorrida desde o final de 2020 nos EUA, Europa e Ásia pressionou fortemente a movimentação global de cargas, de forma jamais vista nos últimos anos", aponta o Centronave no relatório, que aborda o congestionamento portuário mundial, a diminuição de produtividade das cadeias logísticas e as perdas na capacidade dinâmica de transporte globais.

As empresas de longo curso projetam que o aumento do número de voos internacionais, que já vem ocorrendo, poderá permitir algum alívio, com o retorno gradativo de algumas cargas de alto valor agregado para o modal aéreo. O Centronave salienta que os armadores continuam trabalhando para diminuir os gargalos e o atual congestionamento global, em praticamente todos os níveis da cadeia logística, causados por fatores externos à atividade e completamente fora de seu controle, mitigando os efeitos da pandemia para que o comércio brasileiro e mundial não parem.

O Centronave informou que seus associados vêm utilizando suas frotas de navios e equipamentos em sua capacidade máxima. A associação disse que as companhias continuam a empregar toda e qualquer capacidade disponível, adiando a desativação de embarcações antigas e ainda executando reparos — ainda que 'antieconômicos' — em contêineres danificados, com o objetivo de mitigar a atual crise de capacidade.

O diretor da Solve Shipping Intelligence, Leandro Barreto, avalia que o mercado ficou reprimido nos primeiros meses da pandemia e voltou com força e muito acima da oferta a partir do terceiro trimestre de 2020. Ele lembrou que, na última baixa temporada (dezembro 2020 a março de 2021), quando a situação começava a se equilibrar e o frete começava a ceder, ocorreu o encalhe do mega navio Ever Given e depois os fechamentos dos portos de Yantian e Ningbo, na China, devido a protocolos sanitários para conter os casos de Covid-19.

Barreto acredita que a melhor saída é que a próxima ‘low season’ — sem ocorrência de eventos como o encalhe em Suez e o fechamento de grandes portos chineses — seja também um período de alta temporada, permitindo limpar, até o começo do segundo trimestre de 2022, o excesso de demanda acumulada. Ele considera que não faltam contêineres e navios no mundo e que a capacidade, inclusive, é maior. “Acontece que existem muitos navios e contêineres parados nos EUA, Europa e China. E esses navios e contêineres parados são oferta retirada do mercado”, explicou Barreto, na última semana, durante o evento virtual Summit LogComex.

No começo do ano, havia 40 navios parados nos portos de Los Angeles e Long Beach, nos Estados Unidos. Esse congestionamento foi reduzido para pouco menos de 20 navios em março, antes do encalhe do Ever Given e do fechamento dos portos chineses. No começo de outubro, esse número já era de 70 navios. “Se achávamos que no começo do ano estava ruim, agora está muito pior. Tem 70 navios parados porque estamos na ‘high season’, comparou Barreto.

Um serviço que sai da China e vai para os EUA, por exemplo, gasta em média seis semanas para fazer ida e volta. Se esse navio fica uma semana parado em Los Angeles ou Long Beach, significa que ele passa a girar em sete semanas, provocando uma demanda adicional de 15% a 20% de navios e contêineres. “Essa capacidade que está parada nos congestionamentos está fazendo falta nos portos, terminais e está fazendo fretes irem para as alturas”, apontou Barreto.

Fonte: Portos e Navios