19 de janeiro de 2021 às 09:38

Governo e setor industrial culpam custo Brasil pela saída da Ford do País

Governador da Bahia anunciou que está negociando com as embaixadas de outros países para tentar encontrar uma empresa interessada em ficar com a planta de Camaçari.

A decisão da Ford de fechar suas três fábricas de automóveis no País trouxe à tona a discussão sobre o custo Brasil. Para entidades que representam o setor industrial,  o País precisa aprovar rapidamente a reforma tributária e mostrar compromisso com o equilíbrio fiscal.

Em nota oficial, o Ministério da Economia disse que lamenta a decisão global e estratégica da Ford de encerrar a produção no Brasil. “A decisão da montadora destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no país, muitos já registrando resultados superiores ao período pré-crise”, diz o ministério.

“O ministério trabalha intensamente na redução do custo Brasil com iniciativas que já promoveram avanços importantes. Isto reforça a necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais”, complementa a nota.

Além disso, a equipe econômica estaria negociando com outras fabricantes de veículos para assumirem a operação da Ford no Brasil. De acordo com a Folha de S.Paulo, é possível que uma montadora chinesa assuma uma das unidades.

O governador da Bahia, Rui Costa, também anunciou que está negociando com as embaixadas de outros países para tentar encontrar uma empresa interessada em ficar com a planta de Camaçari.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) considera que a decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil, depois de mais de 100 anos de atividade, é uma triste notícia para o País e um movimento que tem de ser olhado com atenção.

“A Fiesp tem alertado sobre a necessidade de se implementar uma agenda que reduza o custo Brasil, melhore o ambiente de negócios e aumente a competitividade dos produtos brasileiros. Isso não é apenas discurso. É a realidade enfrentada pelas empresas”, diz a entidade em nota.

Para a federação, a alta carga tributária brasileira faz diferença na hora da tomada de decisões. “O custo de cada automóvel produzido aqui, por exemplo, dobra apenas por conta dos impostos – e ainda há governantes que pensam no absurdo de aumentar tributos, como no caso da inacreditável alta do ICMS em São Paulo. Precisamos urgentemente fazer as reformas estruturais, baixar impostos e melhorar a competitividade da nossa economia para atrair investimentos e gerar os empregos de que o Brasil tanto precisa.”

A CNI (Confederação Nacional da Indústria), por sua vez, avalia que a decisão da Ford é um sinal de alerta para os governos federal, estados e municípios, além do Congresso Nacional, sobre a necessidade de aprovar, com urgência, medidas para a redução do custo Brasil. Entre elas, diz a entidade, a reforma tributária se apresenta como a prioritária para a redução do principal entrave à competitividade do setor industrial brasileiro.

De acordo com o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaodi, o fechamento das fábricas é uma péssima notícia, em um momento de recuperação econômica, tanto pelos empregos que se perdem quanto por todo o impacto na cadeia produtiva do setor automobilístico, uma das mais complexas da indústria brasileira.

“Entendemos que a decisão está alinhada a uma estratégia de negócios da montadora. Mas, o ambiente de negócios é um dos fatores que pesam no momento de decisão sobre onde permanecer e onde fechar. O Brasil tem que lutar para melhorar sua competitividade, pois, além das fábricas, há toda uma cadeia automotiva que inclui redes de concessionárias, fornecedores de partes e peças e diversos outros serviços. Essa decisão reforça a urgência de se avançar na agenda de competitividade e redução do Custo Brasil”, diz Abijaodi.

A Anfavea (associação das montadoras) disse que não vai comentar sobre o tema por se tratar de uma decisão estratégica global de uma das suas associadas. “Respeitamos e lamentamos. Mas isso corrobora o que a entidade vem alertando há mais de um ano, sobre a ociosidade da indústria (local e global) e a falta de medidas que reduzam o Custo Brasil”, diz a entidade em nota oficial.

Fonte: Isto é Dinheiro