06 de novembro de 2017 às 00:00

Cenários para 2018

Ivan Leão
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Há expectativa positiva no programa de concessões de públicas em logística, infraestrutura e energia. Único trunfo para gerar caixa para compensar o déficit orçamentário.

Cenários para 2018

Chega a época de olhar para as possibilidades do novo ano que chega. Bancos, empresários e economistas concordam que em 2018 prossegue o crescimento da economia. Os ativos brasileiros se destacam entre os mais atrativos no mercado internacional. Há expectativa positiva no programa de concessões de públicas em logística, infraestrutura e energia. Único trunfo para gerar caixa para compensar o déficit orçamentário.

Em setembro, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) publicou o texto para discussão “O futuro da inserção internacional do Brasil: questões para o desenvolvimento até 2035”, de autoria do pesquisador Raphael Camargo Lima. Não se fala em planejamento além dos quatro anos dos Planos Plurianuais, exigidos pela lei orçamentária. Mesmo assim, diz o pesquisador, há necessidade de usar o conhecimento disponível para debate de longo prazo sobre tendências e incertezas em face das relações internacionais e as mudanças das posições hegemônicas, com a ampliação da importância da China. Avançam as trocas entre os países de economias intermediárias e cresce o investimento estrangeiro direto (IED) nos países emergentes, onde o Brasil se insere, que atingiu 35% do total do fluxo global de capitais, em 2015, comparado com 5% em 2005, segundo a Unctad.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, em outubro, Hussein Kalaut, titular da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), também vê necessidade de compreender a importância do continente asiático na nova ordem internacional. A SAE tem o foco na formatação de políticas públicas com impacto em até dez anos, incluindo a estruturação de uma base científica, tecnológica e industrial para o setor de defesa. Uma nova política industrial, com debate sobre o papel do BNDES, na visão que o setor privado brasileiro deve aprender a competir. Professor licenciado de relações internacionais e pesquisador da Universidade de Harvard, Hussein Kalaut vê falta de cultura estratégica que faz país sofrer os mesmos problemas estruturais há décadas.

A indústria naval, setor que exige visão de longo prazo, encerra uma fase, com a decisão da ANP sobre o conteúdo local. Foram reduzidos os percentuais mínimos de conteúdo local para: integração de módulos, 75% para 48%; vasos de pressão de 70% para 44%; válvulas de 58% para 35%; bombas de 70% para 44%; sistemas de automação de 75% para 19%; elétrico de 70% para 23% e o casco não precisa ser contratado no Brasil.

A indústria fornecedora declara à imprensa sua divisão, os prestadores de serviços querem avançar em direção aos contratos de fornecimento para a plataforma definitiva de Libra, estaleiros e fornecedores de equipamentos anunciam levar à decisão da Justiça a manutenção de conteúdo local que já não era praticado. O impasse atrasa em um ano, para 2021, o prazo para entrada em operação da plataforma de produção. Todos perdem. 

Entre os negócios que podem ser esperados em 2018 está a contratação pela Petrobras da manutenção de 12 plataformas na Bacia de Campos. A abertura dos preços, para iniciar etapa de negociações, apresentou os vencedores: G&E Manutenção, sediada em Camaçari (BA); OEngenharia, com sede em Contagem (MG), controlada pelo Group Vinci, que tem 1,6 mil empresas e 183 mil funcionários em 100 países; e CSE Mecânica, com sede em São José dos Pinhais (PR), controlada pelo grupo internacional Aker Solutions, com presença na Bacia de Campos desde 1988. São as empresas da nova fase de fornecimentos ao setor offshore, em substituição às empreiteiras que saem de cena.

A TechnipFMC, uma das gigantes dos fornecimentos offshore, foi contratada pela Statoil para a fase II da exploração do campo de Peregrino, na Bacia de Campos. Vai implantar o sistema de dutos submarinos para conexão do sistema de produção, incluindo a nova plataforma fixa Peregrino II, construção contratada com a holandesa Herema.

A Exxon se aproxima da Petrobras em diversas parcerias, entre elas ação consorciada em leilões da ANP e acordos para utilização de terminais marítimos com parque de tancagem para trazer ao Brasil combustíveis produzidos no Golfo do México. É a nova política anunciada no Plano de Negócios da estatal.

Ivan Leão é diretor da Ivens Consult

Texto originalmente publicado no website da Revista Portos e Navios, em 30 de outubro de 2017.

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