10 de julho de 2017 às 00:00

Redução de calado e seus prejuízos

A Tribuna - Editorial
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A redução do calado tem impacto direto na balança comercial, pois diminuiu a capacidade das embarcações de transportarem mercadorias. O limite de profundidade, que era de 13,7 metros, foi diminuído para 12,3 metros em condições normais de maré.

Redução de calado e seus prejuízos

As operações de dragagem do Porto de Santos e as dificuldadesdo governo para viabilizá-las são alvos antigos de queixas dos empresários do setor e sempre estiveram no centro das criticas ao desempenho do complexo santista. Nos últimos dias, os trabalhos referentes à profundidade do canal voltaram às atenções gerais, com a decisão tomada na sexta-feira pela Capitania dos Portos de reduzir o limite do calado operacional, que é a fundura máxima que os navios podem atingir quando totalmente carregados. Agentes marítimos já computam os prejuízos em um momento no qual o País registra seu melhor saldo comercial em três décadas.

A redução do calado tem impacto direto na balança comercial, pois diminuiu a capacidade das embarcações de transportarem mercadorias. O limite de profundidade, que era de 13,7 metros, foi diminuído para 12,3 metros em condições normais de maré. Conforme cálculos do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), cada centímetro a menos reduz o embarque de até oito contêineres. A medida tomada na última sexta vai implicar uma perda de carregamento de até 720 unidades, o equivalente a 5 mil toneladas por viagem. Com o frete médio de US$ 2.300, o prejuízo por embarcação vaia US$ 1,6 milhão.

No caso dos granéis, serão 90 mil toneladas a menos por navio e uma perda de US$ 27 mil em fretes. Já o exportador de soja terá um prejuízo de US$ 324 mil por embarcação. Segundo o Sindamar, a Codesp já anunciou que realizará uma draga-gem entre a Barra e o Entreposto de Pesca, mas o transtorno para a logística operacional do setor, com seus equivalentes prejuízos, já está consolidado. A entidade alerta que o impacto comer-cial e financeiro para o Porto pode se expandir, como compradores interna-cionais impondo multas e até cance-lando contratos. Além disso, o calado reduzido deve exigir despesas extras com armazenagem, afinal os navios estão sendo obrigados a zarpar com uma capacidade menor de cargas.

A decisão de reduzira profundidade aconteceu após os terminais portuários procurarem a Codesp na sexta, quando três assoreamentos foram de-tectados na entrada do Porto. Questio-nada por A Tribuna, a Codesp alegou que a programação dos navios "per-manece normal" e que os trabalhos de dragagem ocorrem dentro do previs-to, mas não informou quando esse trabalho no canal será concluído.

Os empresários do setor reclamam que atrasos ou ineficiência na manu-tenção do canal prejudicam a imagem do Porto de Santos e elevam seu custo, aumentando o valor dos fretes. E que tais problemas implicam até na oferta de emprego, pois impedem o aumen-to das operações. É preciso que a Co-desp ajapara impedir que esses trans-tornos se repitam. Com tantos prejuí-zos, o Porto perderá negócios em uni momento favorável ao comércio exte-riore o País exportará menos.