15 de março de 2019 às 10:00

Porto gera empregos e riqueza em Salvador

No ano passado, terminal localizado na capital baiana movimentou 1,8 milhão de toneladas

Quem passa pela Avenida da França, no Comércio, pode até não saber, mais ali por baixo são escoadas milhares de toneladas de grãos todos os anos. Pela Via Expressa Baía de Todos-os-Santos, outros milhares de caminhões levam e trazem cargas que movimentam a economia baiana, com baixo impacto na rotina do centro antigo de Salvador, mas relevante participação no desenvolvimento econômico da região. 

No ano passado, o Porto de Salvador movimentou 1,8 milhão de toneladas, segundo informações da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). O Terminal de Contêineres instalado no porto, o Tecon Salvador, operado pela Wilson Sons, bateu recorde de movimentação de carga no período. Em doze meses, foram 203.979 contêineres movimentados – o correspondente a 322.665 TEUs (sigla para Twenty-foot Equivalent Unit - Unidade Equivalente a um contêiner de 20 pés).

Movimento de trigo
Com a sua maior operação no país implantada na Bahia a J. Macedo – fabricante de farinha de trigo, misturas para bolo, biscoitos e massa – tem a sua operação intrinsecamente ligada ao Porto de Salvador. Mas, desde o dia 26 de outubro de 2017, a presença da empresa, que opera um moinho em pleno bairro do Comércio, só é percebida pelo impacto no desenvolvimento econômico do estado. São mil empregos diretos, 200 terceirizados e outros 300 indiretos. Todo o transporte do trigo que vem de diversas partes do mundo é feito através de um sistema chamado portalino, que retira os grãos de navios com capacidade de até 30 mil toneladas, encapsula o produto e transporta por debaixo da terra a uma velocidade de 300 toneladas por hora. O investimento foi de R$ 27,5 milhões, lembra o gerente de projetos industriais da J. Macedo, Daniel Lustosa. “Nós temos uma grande variedade de produtos, por isso preciso trazer trigo de diversos lugares do mundo, como Canadá, Argentina, Estados Unidos e Europa. Estar perto do porto é essencial para nós”, explica. 

A operação da empresa, que além do moinho no Comércio possui uma unidade industrial em Simões Filho, rende aos cofres públicos estadual R$ 60 milhões por ano em Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). 

Mas a J. Macedo não é a única empresa que depende do Porto de Salvador. No mesmo ramo, outro moinho que detém importante operação no espaço é o Canuelas. E o diretor-presidente da Codeba, Rondon Brandão do Vale, lembra que um levantamento apresentado há algum tempo pela Associação Comercial da Bahia (ACB) aponta a existência de 120 empresas em Salvador que existem em função da estrutura portuária na capital. A movimentação de celulose beira as 400 mil toneladas por ano.

“Nós temos uma visão de que é preciso dar destaque ao papel que os portos têm para a sociedade. É um elo chave na cadeia logística, mas é muito mais do que isso. Queremos um porto cada vez mais integrado com a cidade”, destaca.

Fonte: Correio*