08 de março de 2019 às 07:42

Rentabilidade das exportações brasileiras tem aumento de 12,3%

O componente que mais contribuiu para o ganho de rentabilidade em 2018 foi a desvalorização de 14,5% da taxa de câmbio nominal.

A rentabilidade média das exportações brasileiras avançou 12,3% em 2018 na comparação com o ano anterior. O crescimento ocorreu depois de dois anos em que as vendas externas haviam ficado menos rentáveis. Em 2016, o índice de rentabilidade das exportações totais caiu 8,2% e, no ano seguinte, 1,2%, com queda acumulada de 9,3% no biênio. Em 2019, segundo analistas, a alta do ano passado não deve se repetir.

O componente que mais contribuiu para o ganho de rentabilidade em 2018 foi a desvalorização de 14,5% da taxa de câmbio nominal. O fator de rentabilidade, que é a razão entre os índices de preços das exportações e o dos custos de produção, registrou queda de 1,8% no ano passado. Isso aconteceu porque a alta de 7,1% do índice de custos de produção em 2018 superou o crescimento de 5,1% do preço médio das exportações. Os cálculos são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que trata-se de uma recuperação de rentabilidade importante, mas dada conjunturalmente, como resultado da desvalorização da moeda nacional. "Não é um ganho de rentabilidade programado, resultante de alguma política voltada à exportação", diz ele. Para 2019, a perspectiva é de que o câmbio não contribua da mesma forma para a rentabilidade do exportador, avalia Castro.

"Neste momento, o que se espera é que a taxa média de câmbio do ano fique próxima ao nível que está atualmente. Ainda há uma perspectiva de leve valorização do real com a aprovação da reforma previdenciária, embora o andamento do conflito entre China e Estados Unidos seja um fator que pode provocar maiores oscilações no câmbio", diz Castro. No mais recente boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado ontem, o consenso dos analistas projeta um dólar cotado a R$ 3,70 ao fim de 2019.

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e sócio da Barral M Jorge Consultores Associados, diz que para este ano a perspectiva é de queda de rentabilidade, com o valor da exportação total estável em relação a 2018, embora com queda de preços em commodities importantes, como a soja. No ano passado, lembra ele, a campanha eleitoral para presidente da República contribuiu para uma forte desvalorização cambial, o que aumentou a lucratividade para o exportador. "Mas ao fim do ano passado houve uma revalorização do real, com maior equilíbrio, voltando quase ao patamar anterior de preço do dólar."

Castro explica que a desvalorização do real tem dois efeitos para o exportador. Ao mesmo tempo em que favorece maior rentabilidade nos embarques, também pressiona custos de produção por meio de insumos importados, o que certamente aconteceu no ano passado, avalia ele. O aumento do custo de produção tira rentabilidade e no ano passado isso só foi compensado em produtos e segmentos que tiveram elevação maior de preços.

Considerando a divisão por seções, no ano passado o índice de rentabilidade cresceu tanto para as atividades não industriais como para a indústria não extrativa e para a indústria de transformação, destaca a Funcex. A maior expansão, porém, concentrou-se na indústria extrativa, segundo o boletim.

Para este ano, além do câmbio, o que será determinante para a rentabilidade do exportador, diz Barral, é o cenário internacional, que está "pouco demandante". "O comércio mundial tem crescido em ritmo menor do que o PIB, ao contrário do que aconteceu em décadas passadas. Por isso, o cenário não é propício para novos mercados", afirma ele.

A China, maior parceiro comercial do Brasil, salienta Castro, anunciou meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 6% e 6,5% para 2019, o que significa desaceleração em relação ao avanço de 6,6% no ano passado. Como a China tem papel importante no comércio internacional, isso indica que a demanda externa provavelmente não vai absorver eventual elevação de custo de produção na produção de produtos destinados à exportação, explica ele.

Na desagregação por atividade, a Funcex mostra que o índice de rentabilidade cresceu em 25 dos 29 setores pesquisados. Entre os setores de maior avanço no índice, estão o de extração de petróleo e gás natural, com alta de 45,3%, de celulose, papel e produtos de papel, com avanço de 24,8%, e de metalurgia, com ganho de 19,2%. A perda de rentabilidade ficou para as atividades de couros, artefatos de couro e calçados (-4,5%), impressão e reprodução de gravações (-11,8%, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,4%) e outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (-11,3%).