27 de agosto de 2018 às 19:42

EAS: Tempo de entrega de navios se aproxima do mercado internacional

O tempo de entrega de uma embarcação, por exemplo, caiu de 40 a 44 meses do primeiro navio para 16 meses na mais recente unidade.

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) conseguiu quintuplicar seu nível de produtividade desde a sua construção no Complexo Industrial de Suape, em Pernambuco, disse nesta segunda-feira (27) Hermann Ponte e Silva, diretor do estaleiro. Para ele, a empresa tem feito, desta forma, seu “dever de casa”.

Ele mencionou como ganhos de produtividade o processamento de aço por hora e também citou redução de custos na ordem de 40% realizado pelo estaleiro nos últimos três anos. O tempo de entrega de uma embarcação, por exemplo, caiu de 40 a 44 meses do primeiro navio para 16 meses na mais recente unidade.

Ponte e Silva participa nesta segunda-feira do seminário “O Futuro da Indústria Naval”, realizado pelo jornal Valor Econômico, com o patrocínio do Estaleiro Atlântico Sul, no auditório da sede da Infoglobo, no Rio de Janeiro. Com o comentário, ele buscou rebater críticas sobre o desenvolvimento do setor.

Segundo Ponte e Silva, com tempo de entrega de 16 meses, o estaleiro estaria próximo do praticado no mercado internacional, que é de 12 a 13 meses dependendo do país de referência, como Coreia do Sul, Japão ou China. Sobre a diferença de preços, ele lembrou que existem diferenças de escala e outros fatores.

“Temos assimetria de competição. O custo da mão de obra na China e no Brasil, além do aço, representa US$ 10 milhões a US$ 12 milhões a mais de custo para nós. Tem a questão de escala, já que o chinês faz 30 a 40 navios. Nessa brincadeira, tem mais US$ 4 milhões de diferença de preço”, disse o diretor, reconhecendo que existe onde melhorar.

O EAS pretende entregar até junho do próximo ano seis navios porta-contêineres, num total de 84 mil toneladas de aço processado. Para o diretor, existe demanda no mercado para novas encomendas, mas é preciso destravar questões do setor. Ele apontou como principal entrave a questão da garantia ao financiamento do setor.

Demanda 

Burmann disse que, com base no cenário atual, a indústria de construção naval e offshore brasileira não vai ter demanda da Petrobras e outras empresas do setor nos próximos anos. 

“Não enxergo para a indústria, para o estaleiro, demanda nem da Petrobras e nem de outras empresas do setor. Além da Petrobras, empresas como Shell também devem afretar navios. Todos estão indo para afretamento, não consigo vislumbrar o que vamos fazer a partir do ano que vem”, disse o executivo.

Durante sua participação no seminário, Burmann afirmou que as encomendas do estaleiro estão sendo entregues e não existe demanda para ocupá-lo. “Se levar mais oito anos para contratar, vamos ficar sete anos fechados”, disse o executivo, acrescentando que o estaleiro conseguiu melhorar a produtividade nos últimos anos.

Como mostrou reportagem recente do Valor, ao menos 30 petroleiras diferentes entraram com pedidos na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para aderirem às novas regras que flexibilizam a política de conteúdo local. A lista final de pedidos de adesão só será divulgada hoje, mas levantamento do Valor mostra que, com base apenas nos pedidos parciais, mais de dois terços dos ativos são de exploração.

O gerente de logística da Petrobras, Claudio Mastella, que também participou do evento, disse que a companhia vai continuar com foco na expansão das operações de transbordo de petróleo de navios de posicionamento dinâmico para navios convencionais, com a busca de mais pontos de operação “ship-to-ship”.

“Temos trabalhado para aumentar o número desses pontos, o que nos ajuda e também a outros atores. Trabalhamos para liberar operações em Vitória e outros locais. Então, é o caminho para o escoamento de produção”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico