01 de fevereiro de 2018 às 14:14

Venda de máquinas e equipamentos recua em 2017, aponta Abimaq

O total do consumo aparente, índice de vendas das fabricantes no mercado interno mais importações, foi de R$ 84,88 bilhões no ano passado, recuo de 13,9%.

A receita líquida do setor de máquinas e equipamentos somou R$ 67,14 bilhões durante 2017, encolhendo 2,9%, informou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira. Internamente, as vendas renderam R$ 37,72 bilhões, 19% a menos do que em 2016.

O total do consumo aparente, índice de vendas das fabricantes no mercado interno mais importações, foi de R$ 84,88 bilhões no ano passado, recuo de 13,9%.

A Abimaq também ressaltou que o Brasil ficou com um déficit comercial de US$ 3,68 bilhões para o setor durante 2017. Dessa conta, as exportações foram de US$ 9,09 bilhões, crescimento de 16,6%, e as importações chegaram a US$ 12,77 bilhões, queda de 17,2%. O déficit foi suavizado em 51,7% no ano.

Depois de cinco anos seguidos em queda, o setor provavelmente voltará a crescer em 2018, aposta a entidade. O ritmo, contudo, vai depender de um fator-chave deste ano: as eleições para presidente da República. Para a Abimaq, o avanço da receita líquida total das fabricantes será de 5% a 10%. Segundo o presidente do conselho da associação, João Carlos Marchesan, a variação dependerá de que caminho a política vai tomar a partir de 2019.

“O que nós estamos vendo agora não é tanto um crescimento, é mais uma retomada”, comentou Marchesan em entrevista coletiva. “Vamos conversar com os potenciais presidenciáveis para montar uma agenda que melhore o ambiente de negócios, que faça essa retomada incluir também o investimento.”

A Abimaq, inclusive, está preparando uma espécie de “cartilha” para o que chama de reindustrialização do país, que será distribuída aos candidatos deste ano a cargos tanto no Executivo quanto no Legislativo.

Na opinião da associação, se a alta do Produto Interno Bruto (PIB) — que a própria Abimaq estima em 2,7% neste ano — for mais uma vez baseada no consumo, ela será insustentável para os anos seguintes. O que a entidade quer é um projeto que estimule os investimentos.

Enquanto isso, se voltar ao exterior continua sendo opção viável, que, inclusive, ajudou a aumentar o uso de capacidade da indústria em 2017. A Abimaq aposta que os empresários continuarão com a tendência de aumento das exportações, mesmo com margens bastante reduzidas.

No momento, diz José Velloso, presidente-executivo da associação, o setor trabalha com três principais pautas no Congresso: conteúdo local, reforma da Previdência e reoneração da folha.

Disseminado

O crescimento esperado na receita deve vir das exportações e de uma retomada mais disseminada de todos os setores internamente, disse o diretor de competitividade da Abimaq, Mário Bernardini. Segundo ele, neste ano, diferentemente de 2017, em que máquinas agrícolas dominaram a demanda e impediram uma queda maior da receita, outros setores também devem se recuperar. Destaque especial para máquinas da linha amarela  (pás, retroescavadeiras, gruas etc.) e de bens de consumo.

Segundo ele, o tripé macroeconômico, de câmbio flutuante, metas de inflação e responsabilidade fiscal, não é um “dogma, uma religião”, apesar de ter sido bastante importante para o Brasil alcançar o equilíbrio no passado. Bernardini afirmou que para a indústria brasileira, câmbio e juros são a grande questão agora.

Para uma maior clareza de crescimento, acrescentou Bernardini, o país precisaria de juros reais mais baixos, estruturalmente — o que vem, destacou, com saúde fiscal pública —, e um real mais fraco. “Juros reais, excluindo-se a inflação, não têm como ser maiores que o retorno das empresas”, comentou o diretor da Abimaq. “Hoje o retorno está próximo a 4%. Qualquer juro maior que isso não é factível.”

Fonte: Valor Econômico