02 de janeiro de 2018 às 09:07

FGV: Indústria quer investir em 2018, mas ociosidade alta é desafio

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV avançou 1,3 ponto em dezembro, para 99,6 pontos, sexta alta consecutiva para o indicador e maior patamar desde janeiro de 2014 (100,1 pontos)

A indústria brasileira entra em 2018 com a confiança em alta, estoques ajustados e a intenção de contratar e investir, revela a Sondagem da Indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV). Por outro lado, a ociosidade elevada e percepções ainda pouco confiantes quanto à demanda interna e a situação atual dos negócios mostram que ainda há um caminho a ser percorrido para que os efeitos da crise política e econômica sobre o setor possam ser considerados enfim superados.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV avançou 1,3 ponto em dezembro, para 99,6 pontos, sexta alta consecutiva para o indicador e maior patamar desde janeiro de 2014 (100,1 pontos). Mantido o ritmo de recuperação, a expectativa é de que a confiança da indústria supere os 100 pontos já em janeiro, voltando ao terreno considerado de confiança alta e ao patamar anterior à recessão, com mais empresários otimistas do que pessimistas.

O principal destaque na alta da confiança em dezembro foi o avanço de 1,4 ponto do Índice de Expectativas (IE). O indicador superou os 100 pontos pela primeira vez desde setembro de 2013, chegando a 100,8 ponto. Entre os itens que compõem este índice, o indicador de expectativas com a evolução dos negócios nos próximos seis meses teve o avanço mais relevante, de 5,4 pontos, para 103,1 pontos.

“O indicador de tendência dos negócios tem relação muito forte com o investimento, porque geralmente o empresário investe mais quando está mais otimista”, afirma Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria.

O indicador de emprego previsto, que aponta a intenção do empresário industrial de contratar, avançou 1 ponto em dezembro, para 100,3 pontos. Já o índice de produção prevista registrou ligeira queda no último mês do ano, de 2,4 pontos, para 98,9 pontos, mantendo-se porém próximo ao patamar de 100 pontos.

Outra boa notícia vem do nível de estoques, que seguem ajustados, aos 96,9 pontos — para esse indicador, nível acima de 100 aponta estoques excessivos e abaixo de 90, demasiadamente baixos.

Aos 99,6 pontos, o Índice de Confiança da Indústria encerra o ano 14,9 pontos acima do mesmo mês de 2016. Ainda assim, a economista da FGV avalia que é cedo para que a crise da indústria seja decretada como superada.

O indicador de demanda interna, por exemplo, vem melhorando, mas de maneira oscilante. Caiu em novembro e agora volta a subir em dezembro — 1,6 ponto para 93,9 pontos —, sem apresentar ainda um resultado robusto.

Outro fator de preocupação é o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci). O indicador aumentou 0,3 ponto percentual entre novembro e dezembro, para 74,5%. Com isso, a utilização da capacidade encerra 2017 a uma média de 74,4%, ligeiramente acima dos 73,9% de 2016, mas ainda muito abaixo da média histórica de 80,4%.

Nesse cenário, o Índice da Situação Atual (ISA) segue defasado em relação ao Índice de Expectativas. Em dezembro, subiu 1,3 ponto, para 98,5 pontos, um pouco mais distante da linha dos 100 pontos.

“Os indicadores de situação atual ainda não estão num patamar que nos permita dizer que a indústria está satisfeita. Junto com a utilização da capacidade, isso ainda pesa para baixo na confiança”, afirma Tabi.

Para 2018, a expectativa da economista é de que a confiança do setor continue avançando ao longo do ano. “O que temos que esperar agora nos próximos meses é que o Índice da Situação Atual continue avançando, que o indicador de demanda interna e a utilização da capacidade avancem, que a produção industrial consiga imprimir um ritmo mais forte. Mas isso não é esperado para o início de 2018, mas ao longo do ano”, diz.

A eleição presidencial no próximo ano é considerada o principal fator de incerteza para a evolução da confiança. “A eleição deve tornar a confiança mais volátil, mas não deve interferir no processo de recuperação, no sentido de inverter o sinal”, prevê Tabi.

Fonte: Valor Econômico